quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Troca.


Já percebeu quando o sol está nascendo?
os traços de luzes desordenados vão se espalhando,
alguns tons acinzentados vão sendo apagados,
blocos de espaços negros vão sendo lentamente preenchidos,
o sopro gélido é vagaroso e gradativamente aquecido,
uma porção de cores e vida toma conta de alguns detalhes,
um altruísmo intenso e fascinante nasce em
meio a uma penumbra mesquinha e egocêntrica,
o embaçar do vidro confirma o choque térmico,
o som dos primeiros passos quebram o silêncio
enigmático que outrora imperava,
lentamente o vazio não faz mais parte do contexto
intrínseco da rua, dos becos e parques.
Como se não tivesse existido, a noite some.
Como se não houvesse pausa, as coisas se movimentam.
Como se não parassem, as pessoas correm.
Talvez seja para contemplar esse momento que
todos os dias eu permaneça atento,
ou talvez seja apenas insônia... Nunca se sabe.

Por: Felipe Reis





domingo, 28 de novembro de 2010

Mais do mesmo.

Porque me sinto atormentado?
Sei que meus anseios não passam de meros caprichos
quando afrontados aos sonhos de alguns outros seres,
Sei que meus motivos não nascem de sofrimentos palpáveis,
Entendo existir tantos outros fatos que sobressaem-se dos
que questiono por ora.
Mas porque ainda sinto tanta dor aqui dentro?
Sinto-me um desconhecido,
um estranho.
Por vezes parece que não tenho forças o suficiente
para aguentar o ardor do caminho...
Mas tantos sorriem, parece tão fácil moldar aquilo,
sinto que faço parte do meu maior perigo,
mas só sinto isso ao acordar soluçando.
É tão difícil correr quando não sabe-se onde quer chegar,
Cada minuto parece uma eternidade,
e alguns dos seus sonhos vão ficando pelo caminho.

Por: Felipe Reis

domingo, 14 de novembro de 2010

Pretérito Perfeito...


Desejar o passado é crime?
por vezes, fecho meus olhos e me pego em
situações que já não condizem com meu caminho,
por vezes, sinto algo que meu corpo já não reconhece,
basta uma música, uma imagem, um aroma, e me pego dando
voltas em fases que não deveriam me inquietar novamente.
Reviver...
Ouço o ruído das correntes enferrujadas arrastando-se pelo chão,
esse vértice obscuro e sensitivo não respeita minhas vontades,
não encontro uma perfeita sintonia entre a mente e o peito,
não me sinto a vontade usando pontos finais,
não me satisfaço com o presente.
Sem fôlego retomo o ar e acordo em meio a um profundo sono,
abro bem meus olhos e percebo que estou de volta,
abro meus olhos e reconsidero os fatos,
continuo vivo, mas os tempos são outros...

Por: Felipe Reis

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Índice do sono.


Quando vou estar pronto?
Essa imagem turva, fora de foco e mal acabada,
Quando estarei pronto?
Esses pensamentos críticos, toda essa angustia e incerteza.
Sinto não me enquadrar nos moldes dessa figura clichê,
Sinto não participar desse conceito unânime e ultrapassado,
Minha matriz não anseia dos mesmos preceitos desventurados,
nem tampouco, solidificado e predestinado quanto os outros.
Em um mundo confuso, de idéias entrelaçadas e embaralhadas
traço rotas desconhecidas e uniformes, causando desconforto...
Esse mal estar constante, essa dor contínua que entorpece
meu peito, silencia o grito dos meus olhos e forja sorrisos obscuros.
Passo horas cogitando idéias imprecisas e lógicas sem nexo,
meu relógio parou e tudo que me resta são rumores de uma mente
imprecisa e insegura que aguarda por mais um amanhecer
sentado em frente a uma janela em meio a tantas outras...

Por: Felipe Reis

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Miragem em preto e branco.


Você já foi enganado pela sua própria mente?
Tudo parecia fazer parte de um plano perfeito,
Cada passo planejado com tanta astúcia que o fracasso
era impossível de ser cogitado em qualquer hipótese,
Cada parte do seu corpo gritava a vitória antecipadamente,
Era certo que ninguém sairia perdendo ao final,
foram previstos tempestades, revoltas, obstáculos..
Por um momento você sabia que a felicidade estaria lá,
por um instante você sentiu o sorriso se moldar em sua face,
cada aresta era vagarosamente preenchida com o tempo
e por fim estaríamos sentados apenas olhando tudo
que fora construído com o passar da vida, admirados com a vista.
Mas algo aconteceu, os ventos já não sopram por onde deveriam,
as regras que eram claras e evidentes se distorceram,
as dimensões de todo o trajeto foi repentinamente mudado
e meu sorriso desmontado como um simples quebra cabeças.
O som que adormece meus sentidos não me parece algo vitorioso,
o tom seco das teclas apertadas ecoam pelos corredores da casa,
tanto brilho fora perdido, tudo porque um simples detalhe não
fora pensado: não adianta perder tempo com planos,
as coisas sempre mudam...

Por: Felipe Reis

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Sinopse em branco.


Adoro dias em que posso sentir meu coração,
Um bom filme, uma saudade, um vazio inexplicável,
Gosto quando algo consegue inquietar meu sossego,
Arrancar suspiros e acalentar em prantos minha face,
agrada-me vislumbrar a força de coisas simples,
pequenos detalhes ceifando minha alegria a cada palavra
de uma história, de um drama, uma experiência.
Transformei meu coração em um grande borrão
e escrevo frases e palavras que só fazem sentido
em meu mundo cheio de ruas sem saída e becos escuros,
por vezes reabro suas páginas iniciais apenas para causar
cicatrizes, provocar feridas e estabelecer alguma dor.
De fato, não gosto de sofrimento, de choros e infortúnios,
mas preciso sentir, incondicionalmente sentir, cada brisa
que por milésimos de segundos, apaga a chama que esquentara
alguém, que amaldiçoa caminhos e carrega sonhos...
posso não ser um dos melhores atores que essa vida formou,
mas certamente, aplaudirei em pé cada lágrima
que um bom drama arrancar desse peito insensato.

Por: Felipe Reis

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Desalento cambaleante.


Inicialmente, apenas o parapeito de uma janela qualquer,
mas de longe, eu à avistava, tão orgulhosa e destemida,
ela ousava brincar com o vento que soprava do leste,
aquela dança ritmada ao som do estampido grave do vento,
aquelas cores manchadas de um caminho sofrido e árduo.
Mesmo presa a um mastro frio e solitário ela dançava,
demonstrando sua beleza, força e vitalidade...
Continências, sinais de honra e respeito manchadas de corrupção
não desmoronavam sua segurança moldada em traços firmes,
Gestos efêmeros de cordialidade deformada por conversas de bastidores,
não desfaziam o som do choro dos que deram sua vida por ela.
Incondicionalmente senti-me obrigado a estender minha mão
sobre o peito e em forma, cantar em homenagem a todas as
almas crucificadas para a manutenção da democracia vivida.
Sinto que o meu recrutamento acontecerá brevemente,
sinto que estarei disposto a honrar o nome, não meu simples nome,
mas os nomes contidos naquela flâmula que com tantos motivos
para aflição, ousava brincar com o vento.

Por: Felipe Reis